A riqueza ambiental e a preservação do Norte Fluminense



A região norte do estado do Rio de Janeiro permaneceu esquecida por muito tempo. Talvez por isso ainda conserve áreas pouco exploradas e paisagens naturais impressionantes. O Morro de São João é uma formação imponente com aproximadamente 800 metros de altura, completamente coberta pela vegetação da Mata Atlântica. Ele é um dos destinos preferidos para trilhas e caminhadas.



Durante o período colonial, essa região teve grande importância. Ali foi construída a Capela de São João Batista, em 1619, pelos jesuítas, próxima à foz do antigo Rio Peruíbe. Além de nomearem pontos da geografia local, os padres deram origem a uma vila que cresceu ao longo do litoral. Atualmente, o local corresponde ao distrito de São João da Barra, pertencente ao município de Casimiro de Abreu, onde viveu e foi sepultado o poeta que dá nome à cidade.



Seguindo pela costa em direção ao norte, chega-se a Rio das Ostras, um município que passa por acelerada transformação. Desde sua emancipação, em 1992, a cidade apresenta uma das maiores taxas de crescimento populacional do país, impulsionada pela indústria do petróleo. Hoje, com 130 mil habitantes, a cidade se desenvolve rapidamente, embora ainda enfrente desafios sociais.



O aumento de investimentos, decorrentes dos royalties do petróleo, trouxe melhorias significativas. A expectativa de vida cresceu, a renda média aumentou e o Índice de Desenvolvimento Humano da cidade tornou-se um dos maiores do estado. O desafio atual é equilibrar esse crescimento com a preservação ambiental. Um dos principais atrativos naturais é a Lagoa de Iriri, conhecida pela água escura devido ao iodo, mas considerada limpa e segura para banho. A orla recebeu infraestrutura, enquanto áreas de preservação, como a reserva biológica de Tapebuços, protegem manguezais e espécies ameaçadas, além de manter praias limpas que voltaram a receber tartarugas marinhas.



Macaé é uma cidade que se expandiu a partir da exploração do petróleo. Localizada próxima à lagoa de Imboacica, ela passou de um pequeno município para um dos cinquenta mais ricos do país. A chegada de empresas, executivos e profissionais de diversas nacionalidades transformou sua estrutura urbana. O aeroporto local tornou-se o terminal com maior movimento de helicópteros da América Latina, reflexo do fluxo intenso para as plataformas da Bacia de Campos.



A cidade abriga importantes instalações ligadas ao petróleo e gás, como o Porto de Imbetiba e o terminal de Cabiunas, maior centro de processamento de gás natural do país. Esse terminal recebe e transfere grande parte da produção offshore da região e funciona continuamente, empregando milhares de pessoas. Oleodutos partem dali em direção à refinaria de Duque de Caxias.



Apesar de ser conhecida sobretudo pela indústria petrolífera, a região ainda guarda grandes surpresas ambientais. Uma delas é Jurubatiba, o primeiro parque nacional dedicado exclusivamente ao ecossistema de restinga. Com 44 quilômetros de extensão, abriga lagoas de diferentes composições químicas, vegetação diversificada e fauna rica, incluindo espécies raras de jacarés, cobras, aves e crustáceos. É um cenário impressionante que exige gestão responsável.



A transformação econômica da chamada costa do petróleo também alcançou Campos dos Goytacazes. Tradicionalmente voltada para as indústrias de cana-de-açúcar, álcool e cerâmica, a cidade se tornou o maior produtor de petróleo do Brasil, recebendo mais de um bilhão de reais por ano em royalties. Embora a extração ocorra nas plataformas da costa, os impactos econômicos se concentram no município, que agora recebe investimentos de grande porte.



Entre eles está o Superporto do Açu, em São João da Barra, um megaprojeto industrial e logístico idealizado para movimentar minério, derivados de petróleo e diversos produtos. Com extensa retroárea e canais profundos capazes de receber navios de grande porte, o empreendimento representa uma das maiores apostas de desenvolvimento regional. Contudo, dificuldades financeiras dos responsáveis pelo projeto geraram atrasos e incertezas sobre seu tamanho final.



Enquanto isso, a vida segue com contrastes. Em algumas localidades, como São João da Barra, o ritmo permanece tranquilo, marcado pelo encontro do Rio Paraíba do Sul com o mar e pela rotina dos moradores que vivem longe da agitação econômica. A região como um todo enfrenta o desafio de conciliar crescimento acelerado, preservação ambiental e impactos sociais.



Assim, a costa do petróleo do Rio de Janeiro vive um momento decisivo. É uma região em mudança constante, na qual convivem novos empreendimentos, belezas naturais preservadas e antigos modos de vida. Como já dizia o poeta, a força do dinheiro pode erguer e destruir coisas belas.