Belo Horizonte é apresentada como uma cidade que combina arquitetura, tradição e modernidade. Apesar de ser uma metrópole dinâmica e diversa, preserva um certo charme interiorano. Capital de Minas Gerais e um dos centros urbanos mais importantes da América do Sul, destaca-se como polo de negócios, criatividade e cultura. Cercada pela Serra do Curral, a cidade se desenvolveu em meio a um cenário marcado por prédios, avenidas e trilhos, sempre com um horizonte aberto à vista.
Sua origem remonta a 1701, quando o bandeirante João Leite da Silva Ortiz fundou uma fazenda que passou a ser ponto de parada de tropeiros vindos da Bahia. Com o declínio da mineração em cidades próximas, como Ouro Preto e Mariana, a região atraiu novos habitantes que buscavam sustento na agricultura e pecuária. Com a Proclamação da República, surgiu a proposta de construir uma nova capital para Minas Gerais. Ouro Preto, limitada geograficamente e carregada de símbolos monárquicos, já não atendia às demandas do estado.
Em 1893, uma lei definiu que a nova capital deveria ser construída em quatro anos. O projeto urbanístico previa ruas em quadras regulares, avenidas largas e diagonais, com o centro político localizado no encontro das avenidas Brasil, Bias Fortes e Cristóvão Colombo. A Praça da Liberdade, planejada no ponto mais alto da cidade, abrigaria o Palácio do Governo e importantes secretarias. Suas construções adotaram um estilo eclético, misturando elementos barrocos e medievais.
Os jardins da Praça da Liberdade foram inspirados no Palácio de Versalhes, com palmeiras imperiais, roseiras e fontes decorativas. O coreto central já recebeu apresentações musicais e discursos de presidentes. Ao longo do século XX, novos prédios surgiram ao redor da praça, incluindo dois projetados por Oscar Niemeyer, marcados pela arquitetura modernista. Hoje, o local é um importante polo cultural, reunindo espaços dedicados às artes, à história e à cultura popular.
Próximo à Praça da Liberdade está a Savassi, um dos bairros mais movimentados de Belo Horizonte. A região reúne bares, restaurantes, shoppings, hotéis e lojas de grife. O nome Savassi surgiu de uma antiga padaria que se tornou ponto de encontro de boêmios, que passaram a ser conhecidos como “Turma da Savassi”. Ainda na região central, destaca-se o Minas Tênis Clube, fundado em 1935, com infraestrutura moderna e tradição esportiva reconhecida nacionalmente.
Outra construção de destaque é a Basílica de Lourdes, de arquitetura neogótica e grande importância religiosa para a cidade. Inaugurada parcialmente em 1922, somente pôde ser chamada de basílica após autorização papal, concedida por seu valor artístico e pela devoção dos fiéis.
Belo Horizonte, apesar de jovem, apresenta um planejamento urbano racional. Isso contribui para que esteja entre as capitais com maior índice de desenvolvimento humano do país. Desde sua fundação, a cidade recebeu atenção especial à criação de áreas verdes. O Parque Municipal, inaugurado em 1897, é um exemplo dessa preocupação. Localizado na movimentada Avenida Afonso Pena e inspirado em jardins franceses, o parque reúne esculturas, um orquidário, um teatro, um coreto e outras atrações culturais.
Outro espaço importante é a Praça da Estação, ponto de chegada de materiais utilizados na construção da nova capital. Criada em 1904, recebeu obras de arte trazidas da Bélgica e, em 1922, ganhou uma nova estação ferroviária em estilo neoclássico. No centro da cidade também está a Praça Raul Soares, planejada segundo padrões parisienses. Após anos de abandono, a praça foi revitalizada em 2008, contribuindo para reocupar a região próxima ao Mercado Central.
Ao noroeste da cidade está o Estádio Mineirão, inaugurado em 1965. Ele se tornou símbolo do futebol mineiro e de jogos históricos. Reformado para a Copa do Mundo de 2014, ganhou nova infraestrutura, embora tenha ficado marcado pela derrota brasileira por 7 a 1 para a Alemanha. Localizado às margens da Lagoa da Pampulha, é uma das áreas mais belas de Belo Horizonte.
A Pampulha abriga um conjunto arquitetônico revolucionário idealizado por Juscelino Kubitschek, então prefeito, e projetado por Oscar Niemeyer na década de 1940. Entre suas obras estão a Casa do Baile, inicialmente destinada a eventos sociais; o Museu de Arte da Pampulha, originalmente um cassino; e a Igreja de São Francisco de Assis, símbolo máximo da arquitetura modernista brasileira. As curvas inovadoras de Niemeyer, o paisagismo de Burle Marx e os painéis de Cândido Portinari fizeram do conjunto um marco internacional, apesar da resistência inicial de setores da Igreja.
Também na Pampulha está a Fundação Zoobotânica, terceira maior área verde pública da capital. Ela abriga o Zoológico, o Jardim Botânico, o Parque Ecológico, além de espaços de pesquisa, hospital veterinário e o Jardim Japonês, atraindo cerca de um milhão de visitantes por ano.
A outra grande área verde da cidade é o Parque das Mangabeiras, ao sul, na base da Serra do Curral. Com mais de 2 milhões de metros quadrados, reúne paisagens naturais, trilhas, áreas de lazer e uma rica fauna silvestre. O clima ameno e a ampla estrutura de recreação fazem do parque um dos destinos preferidos dos moradores. Ali estão também a Praça da Bandeira e a Praça do Papa.
Belo Horizonte revela-se especial quando observada com atenção. Trata-se de uma cidade acolhedora, próspera e culturalmente vibrante, marcada por parques, arquitetura marcante e tradições mineiras, e uma população que valoriza suas raízes e a criatividade.


