A Costa do Cacau, localizada no litoral sul da Bahia, é uma das regiões mais belas e ricas em história, cultura e natureza do Brasil. Com paisagens de praias, rios, manguezais e fazendas centenárias, essa área já foi cenário de filmes, novelas e romances conhecidos internacionalmente. Seu nome vem do cultivo do cacau, produto que marcou a economia local por séculos e que ainda hoje faz parte da identidade regional.
O percurso pela Costa do Cacau tem início em Belmonte, cidade batizada em homenagem à terra natal de Pedro Álvares Cabral, em Portugal. O rio Jequitinhonha cruza Minas Gerais por quase mil quilômetros até desaguar no mar baiano, atravessando fazendas de gado, plantações de coco e antigos campos de cacau. A cerca de 40 quilômetros dali, o rio Pardo encontra o oceano na região de Canavieiras, outro importante ponto da rota.
No século XVIII, o colono francês Louis Frédéric Vanneux introduziu as primeiras sementes de cacau na região. O clima e o solo favoreceram o cultivo, e no século XIX o sul da Bahia tornou-se o maior produtor mundial do fruto. Com o passar do tempo, as fazendas entraram em decadência e o turismo tornou-se a principal fonte de renda local. Em Canavieiras, a pesca esportiva atrai visitantes de vários países, especialmente para capturar o marlin azul, espécie encontrada em abundância no Royal Charlotte Bank, a apenas 14 milhas náuticas da costa.
Seguindo o litoral, surgem os canais, mangues e coqueirais que conduzem à Ilha de Comandatuba, no município de Una. O nome, de origem tupi, significa “ajuntamento de feijão”. Atualmente, o local é um dos principais polos turísticos da Bahia, conhecido por seus resorts de luxo, praias preservadas e um campo de golfe com 18 buracos que atrai visitantes de todo o mundo. Comandatuba oferece também infraestrutura moderna, com aeroportos particulares e paisagens marcadas por milhares de coqueiros e jardins tropicais.
Mais ao norte está Olivença, distrito de Ilhéus, que une natureza e urbanização. Suas praias são ideais para o surfe, e o balneário de Tororomba se destaca pelas águas termais ricas em minerais, únicas na faixa litorânea brasileira. A apenas 20 quilômetros dali encontra-se Ilhéus, cidade símbolo da Costa do Cacau e antiga capital do ciclo cacaueiro. O farol do Morro de Pernambuco recebe os visitantes com uma vista espetacular, revelando uma cidade que combina mar, história e verde.
Com cerca de 180 mil habitantes, Ilhéus é o oitavo município mais populoso da Bahia. Seu centro histórico preserva marcas do período de prosperidade dos “coronéis do cacau”. Entre os principais monumentos estão o Palácio Paranaguá, sede da prefeitura, a Catedral de São Sebastião, com 48 metros de altura, e o Convento da Piedade, de 1928. O famoso Bar Vesúvio, imortalizado no romance Gabriela, Cravo e Canela, e o Sobrado Azul, frequentado por Jorge Amado, reforçam o vínculo entre a literatura e a história local.
A Casa de Cultura Jorge Amado, antiga residência da família do escritor, preserva memórias do autor e de sua obra, traduzida para mais de 45 idiomas. Outro destaque é a devoção regional a São Jorge, refletida na pequena igreja de 1556, que hoje abriga o Museu de Arte Sacra. No passado, Ilhéus foi um dos maiores exportadores de cacau do mundo, chegando a movimentar mais de um milhão de toneladas anuais pelo seu porto. Hoje, além da economia portuária, o turismo e os cruzeiros marítimos são os principais motores da cidade.
A poucos quilômetros do litoral, no povoado de Rio do Engenho, encontram-se as ruínas da Fazenda Santana, uma das mais antigas do país. Tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), essas construções do período colonial convivem com a Universidade Estadual de Santa Cruz, instituição que apoia comunidades locais e projetos de cultivo sustentável de cacau. Embora o Brasil tenha perdido o protagonismo mundial para países africanos como Gana e Costa do Marfim, a região mantém viva a memória do ciclo do cacau por meio de fazendas históricas e roteiros turísticos educativos.
Entre essas antigas propriedades estão a Fazenda Catalão e o povoado de Rio do Braço, que conservam estruturas do tempo áureo. Próximo dali está a Lagoa Encantada, uma reserva ambiental cercada pela Mata Atlântica. O local é conhecido tanto pela beleza natural quanto pelas lendas locais. Fala-se em ilhas flutuantes e em uma cidade submersa, mas o que realmente encanta os visitantes são as cachoeiras e corredeiras de águas cristalinas.
De volta ao litoral, a estrada Ilhéus–Itacaré é considerada um exemplo de preservação ambiental no país. São 65 quilômetros de praias praticamente intocadas, manguezais e áreas de Mata Atlântica protegidas pela Unesco, que classificou a região como Reserva da Biosfera e Patrimônio da Humanidade. Entre as praias mais conhecidas estão Itacarezinho, Camboinha, Engenhoca e Jeribucaçu, cada uma com características próprias, algumas ideais para o surfe, outras perfeitas para o descanso e a observação da natureza.
Por fim, Itacaré representa o equilíbrio perfeito entre natureza e hospitalidade. A cidade, com cerca de 27 mil habitantes, vive do turismo ecológico e esportivo. Suas praias, rios e montanhas atraem surfistas, aventureiros e viajantes em busca de tranquilidade. Apesar do crescimento, Itacaré mantém o charme de uma vila litorânea, com clima acolhedor e ritmo de vida sereno.
A Costa do Cacau é uma síntese da Bahia: doce como o fruto que lhe dá nome e vibrante como o mar que banha suas praias. Entre a herança histórica do cacau e a exuberância natural da Mata Atlântica, essa região encanta os turistas com seu cenário de sol, cultura e hospitalidade.


