A antiga capital do estado do Rio de Janeiro, Niterói, é o ponto de partida para uma viagem pela região dos lagos, uma das áreas mais belas do litoral sudeste brasileiro. Com cerca de 500 mil habitantes, a cidade possui o melhor índice de desenvolvimento humano do estado e o sétimo melhor do país, segundo dados do censo mais recente. Fundada em 1573 por indígenas que auxiliaram os portugueses a expulsar os franceses da Baía de Guanabara, Niterói combina história, urbanização e qualidade de vida.
Entre seus principais atrativos está o Museu de Arte Contemporânea, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1996. A revista inglesa Traveller o incluiu entre as sete maravilhas da arquitetura contemporânea. O próprio Niemeyer escolheu o local da construção e, para preservar o antigo mirante existente na área, decidiu erguer o prédio sobre uma base de cinco metros de altura, criando a imagem de uma flor de concreto suspensa diante do mar. A rampa de acesso, pintada de vermelho, simboliza um tapete que convida o povo a entrar, reafirmando a ideia de que a arte deve ser acessível a todos.
Niterói é a segunda cidade com o maior número de obras de Niemeyer, ficando atrás apenas de Brasília. Além do MAC, destacam-se o Teatro Popular, com capacidade para 460 pessoas em seu interior e espaço para até 10 mil espectadores ao ar livre, o Memorial Roberto Silveira, que guarda documentos sobre o ex-governador fluminense, e a Fundação Oscar Niemeyer, dedicada ao estudo e preservação do legado do arquiteto.
Outro símbolo marcante da região é a Ponte Rio-Niterói, inaugurada em 1974. Com 13 quilômetros de extensão, ela liga as duas cidades e é considerada a maior ponte do Hemisfério Sul. Cerca de 140 mil veículos atravessam diariamente a Baía de Guanabara por essa via, cujo vão central, de 72 metros de altura, permite o tráfego de grandes navios. A construção representou um grande desafio de engenharia, sendo projetada para resistir às variações de clima e maré.
Apesar das brincadeiras que dizem que o melhor de Niterói é a vista para o Rio de Janeiro, a verdade é que ambas as cidades se complementam em beleza. A Baía de Guanabara, mesmo afetada pela poluição, ainda encanta pela paisagem. Muitos optam por atravessá-la de barca, desfrutando de um dos mais belos percursos urbanos do país. Ao longo da baía, destacam-se as fortalezas de Santa Cruz, São Luís e Pico, construções históricas que datam do século XVI e oferecem vistas deslumbrantes.
Seguindo o litoral, encontram-se as praias de Adão e Eva, pequenas e próximas uma da outra, que marcam o início da transição entre o ambiente urbano e o cenário natural da Região dos Lagos. A praia de Piratininga, também em Niterói, contrasta com as águas calmas da baía por estar voltada para o mar aberto. Seu nome, de origem tupi, significa “secagem de peixe”, lembrando a antiga atividade pesqueira da região. Com quase três quilômetros de extensão, Piratininga ainda conserva um ambiente tranquilo, embora o crescimento urbano traga desafios ambientais, como o despejo de lixo e esgoto na lagoa vizinha.
Os relatórios do Instituto Estadual do Ambiente indicam, porém, melhorias na qualidade da água graças a ações de despoluição. Próxima dali, a pequena Praia do Sossego é uma das mais isoladas de Niterói, acessível apenas por trilhas. Em seguida, surge Camboinhas, praia de dois quilômetros de extensão, conhecida por suas águas agitadas e areias claras. O nome vem de um naufrágio ocorrido em 1958, quando o navio cargueiro Camboinhas foi vencido pela força do mar.
A Lagoa de Itaipu, que acompanha o percurso, enfrenta o mesmo problema de poluição, sofrendo com despejos clandestinos de esgoto. Já Itacoatiara, uma das praias mais bonitas e preservadas de Niterói, é um paraíso dos surfistas. Cercada por morros e com edificações limitadas a dois andares, mantém o equilíbrio entre natureza e ocupação humana. O nome, que significa “pedra pintada”, faz referência às formações rochosas que emolduram o local.
Mais adiante, chega-se ao município de Maricá, onde a praia de Itaipuaçu se estende por mais de 15 quilômetros. O Morro do Elefante, com seu contorno semelhante ao corpo do animal, é um dos marcos visuais da região. Essa transição entre Niterói e a Região dos Lagos oferece paisagens que agradam a diferentes perfis de visitantes, dos que buscam tranquilidade aos que preferem o agito.
Entre os destinos mais procurados está Saquarema, conhecida como o “Maracanã do surfe”. Localizada a cerca de 100 quilômetros da capital, a cidade se desenvolveu a partir do século XVII e tem na igreja de Nossa Senhora de Nazaré, construída no alto do morro, seu principal símbolo histórico. As ondas da praia de Itaúna atraíram, desde os anos 1970, os primeiros surfistas brasileiros e continuam a sediar competições internacionais.
Além das praias, a região também se destaca pela produção de sal marinho. A Lagoa de Araruama, uma das maiores do Brasil, foi o principal centro salineiro do país no século XX, chegando a abrigar 150 salinas. Embora hoje produza menos do que o Rio Grande do Norte, ainda é responsável por cerca de 30% do sal marinho nacional. A paisagem das salinas, com suas formas geométricas e tons variados, impressiona pela beleza e harmonia.
A Região dos Lagos é, portanto, um mosaico de contrastes. Reúne a genialidade da arquitetura moderna e o esplendor natural das praias e lagoas. Combina tradição e modernidade, tranquilidade e movimento. Seja como moradia ou destino turístico, oferece qualidade de vida, cultura e beleza em abundância, sempre abençoada pelo sol e pelo mar.


