A região do Baixo São Francisco é apresentada a partir da foz do Rio São Francisco, na divisa entre os estados de Sergipe e Alagoas. O chamado Velho Chico percorre quase três mil quilômetros desde a Serra da Canastra, em Minas Gerais, atravessando cinco estados e centenas de municípios até desaguar no Oceano Atlântico. Nesse trecho final, o rio forma paisagens marcadas por extensas faixas de areia, manguezais e áreas importantes para a preservação da fauna marinha, como a Praia do Pontal do Peba, local de desova de tartarugas.
Nos últimos quilômetros antes do mar, o rio se abre em um delta com ilhas e dunas, criando um cenário natural impressionante. No entanto, o equilíbrio entre o rio e o oceano mudou ao longo do tempo. Atualmente, o mar avança sobre o leito do São Francisco, fenômeno conhecido como salinização, causado pela redução do volume de água. Essa situação gera preocupações ambientais e alimenta debates sobre projetos como a transposição do rio, que pretende levar suas águas para regiões mais secas do Nordeste.
Piaçabuçu, em Alagoas, é a principal porta de entrada para a foz do rio. Localizada a poucos quilômetros do encontro entre o São Francisco e o mar, a cidade tem sua economia fortemente ligada ao turismo, especialmente aos passeios de barco pelo delta. Com casas coloridas e clima tranquilo, o município também ganhou destaque cultural ao servir de cenário para o filme Deus é Brasileiro, reforçando sua importância no imaginário regional.
Seguindo rio acima, encontra-se Penedo, cidade histórica conhecida como a “Ouro Preto do Nordeste”. O município preserva um valioso conjunto arquitetônico colonial, com igrejas barrocas e casarões antigos. O Paço Imperial se destaca por ter hospedado Dom Pedro II no século XIX e por abrigar objetos que ajudam a contar a história do Brasil. A presença dessas construções faz de Penedo um dos principais polos culturais do Baixo São Francisco.
Do outro lado do rio está Neópolis, em Sergipe, considerada a cidade mais antiga da região. Fundada no século XVII, é reconhecida pela forte tradição cultural, especialmente durante o carnaval, quando o frevo atrai visitantes de várias partes do país. Essa área faz parte da vasta Bacia do São Francisco, que ocupa cerca de 8% do território nacional e sustenta populações que vivem principalmente da agricultura, da pesca e da produção de subsistência.
À medida que a viagem avança para o interior, a paisagem muda e a vegetação da Caatinga começa a aparecer. Em cidades como Gararu e Pão de Açúcar, o rio forma praias fluviais e grandes bancos de areia, muito utilizados para lazer. Pão de Açúcar também se destaca por seu patrimônio histórico, por sítios arqueológicos e pelo Cristo Redentor localizado no alto do Morro do Cavalete, de onde se tem uma ampla vista do rio e da cidade.
Mais adiante, surgem povoados como Entremontes, conhecido pelo artesanato e pelos bordados tradicionais feitos por mulheres da comunidade. Em seguida, a cidade de Piranhas se destaca pelo patrimônio histórico bem preservado e pela forte ligação com a história do cangaço. O município abriga o Museu do Cangaço e mantém viva a memória de personagens como Lampião, além de atrair turistas interessados em cultura, história e cinema.
Na etapa final do percurso, o Rio São Francisco encontra a Usina Hidrelétrica de Xingó, uma das maiores do país. A barragem formou um grande lago e deu origem aos cânions do São Francisco, com paredões rochosos impressionantes esculpidos ao longo de milhões de anos.
Hoje, essa região é um importante destino turístico e símbolo da força econômica, histórica e cultural do Velho Chico, um rio essencial para a identidade e o modo de vida do Nordeste brasileiro.