A Chapada Diamantina é um verdadeiro santuário natural



O Parque Nacional da Chapada Diamantina é uma das maiores áreas de preservação ambiental do Brasil. Com 152 mil hectares distribuídos entre 28 municípios e 150 vilas, abriga uma rica diversidade natural. Criado oficialmente em 1985, o parque conseguiu preservar grande parte da mata nativa e da fauna local, além de marcar o início do ecoturismo na região.



Atualmente, regras rígidas de conservação ajudam a transformar a natureza protegida em fonte de renda, beneficiando mais de 400 mil pessoas. O nome da chapada remete ao período em que a região era conhecida por suas jazidas de diamantes. Foi essa riqueza que atraiu os primeiros moradores do local onde surgiria a cidade de Lençóis, situada a 410 quilômetros de Salvador. Com boa estrutura turística, incluindo hotéis, restaurantes e um pequeno aeroporto, Lençóis tornou-se a principal porta de entrada para os visitantes da Chapada Diamantina.



Com o fim do ciclo do garimpo, que durou até meados do século XX, Lençóis entrou em decadência. No entanto, seu conjunto arquitetônico foi tombado pelo patrimônio nacional, o que impulsionou a chegada do turismo. Hoje, milhares de viajantes — brasileiros e estrangeiros — permanecem na região por cerca de uma semana, explorando trilhas, grutas e paisagens naturais. Entre as atrações mais procuradas está a Gruta do Lapão, uma caverna de quartzito com cerca de um quilômetro de extensão e uma entrada monumental de 60 metros de altura.



Outra atividade recorrente é acompanhar o percurso do rio Lapão, onde os visitantes podem se refrescar durante a caminhada. A região também guarda vestígios das antigas áreas de garimpo, lembrando o período em que homens passavam meses nas matas em busca de pedras preciosas. Mesmo em meio ao semiárido baiano, a Chapada revela surpresas como a área conhecida como Mini Pantanal, uma planície alagada pelos rios que descem da serra e que lembra o cenário do Pantanal mato-grossense, com peixes, capivaras, jacarés e diversas aves.



O Rio Roncador é outro destaque, conhecido por suas piscinas naturais e cachoeiras que aumentam de volume no verão. Já o Ribeirão do Meio e o Rio Ribeirão oferecem locais de lazer, incluindo lajes de arenito que funcionam como tobogãs naturais. Seguindo pelo Vale dos Lençóis, chega-se a uma das paisagens mais famosas da Chapada: o Morro do Pai Inácio. Com 1.120 metros de altura, o morro é um dos maiores cartões-postais da região. Além de sua beleza, é acompanhado de uma lenda sobre um escravo que teria escapado de seus perseguidores saltando do alto da montanha com um guarda-chuva.



Outra formação marcante é o Morrão, com 1.418 metros de altura, que se destaca pela forma imponente e pelo topo achatado. Sem trilhas para o acesso, é admirado principalmente à distância. Próximo dali está o Morro do Camelo, conhecido pela sua beleza e por já ter sido cenário de produções de televisão. Em meio às serras surge o pequeno Vale do Capão, um vilarejo tranquilo com menos de mil habitantes e uma vida simples, cada vez mais estruturado para receber visitantes sem perder sua essência.



A poucos quilômetros do vilarejo encontra-se a Cachoeira da Fumaça, a segunda maior queda d’água do Brasil. Dependendo do período de chuvas, sua aparência pode mudar drasticamente. O acesso pode ser feito por trilhas de diferentes dificuldades, algumas levando dias para serem percorridas. Sobrevoando os Gerais do Vieira, podem-se observar campos extensos utilizados por moradores e turistas que se deslocam entre povoados. No Vale do Pati, considerado um dos melhores destinos brasileiros para trekking, destaca-se o Morro do Castelo, cujos trechos íngremes desafiam até os caminhantes mais experientes.



O Vale do Pati, apesar de belo, nunca teve atividade garimpeira significativa, pois seus solos férteis foram mais propícios à agricultura, antes de o turismo se tornar a principal fonte de renda da região. Ali também se encontram atrações como o Cachoeirão e o rio Paraguaçu, que nasce na Chapada antes de atravessar boa parte da Bahia.



Entre as cidades históricas situadas no parque, destaca-se Igatú, distrito de Andaraí. Cercada de natureza, ruínas de antigas construções e ruelas de pedra, é conhecida como a “Machu Picchu Baiana”. A cidade, que já teve 15 mil habitantes, hoje abriga menos de 500 moradores, mas ganha cada vez mais destaque turístico. Outro município importante é Mucugê, um dos mais antigos da Chapada e marcado pela exploração de ouro e diamantes. Ali estão atrações como a Igreja de Santa Isabel e o Cemitério Bizantino, cujas construções brancas ao pé de um paredão rochoso remetem à arquitetura do Oriente Médio.



Seguindo em direção ao sul da Chapada, encontram-se Campo Redondo e Ibicoara, áreas que vêm se desenvolvendo para receber visitantes interessados em atrações como o Rio Preto e as cachoeiras do Buracão e da Fumacinha. A região reúne paisagens exuberantes, águas limpas e oportunidades tanto para descanso quanto para esportes de aventura.



Mesmo com sobrevoos e longas trilhas, é impossível conhecer totalmente a Chapada Diamantina. Suas paisagens vastas e diversificadas sempre revelam novos cenários e histórias. Por isso, cada visita oferece descobertas inéditas, tornando a região um dos maiores tesouros naturais do Brasil.