Ao deixar o litoral de Santa Catarina em direção ao interior, a paisagem sofre mudanças significativas. As áreas planas próximas ao mar dão lugar a serras e campos de altitude que compõem o Planalto Catarinense. A porção sul dessa região é considerada a mais fria do Brasil. Durante o inverno, municípios como São Joaquim e Urubici registram ocorrência frequente de neve, fenômeno raro no território nacional. O cenário é complementado por cânions, cachoeiras e estradas de grande impacto visual, como a Serra do Rio do Rastro.
O percurso tem início em Criciúma, cidade com cerca de 200 mil habitantes e uma das mais populosas do estado. Seu crescimento inicial esteve ligado à exploração de jazidas de carvão mineral no final do século XIX. Atualmente, o município também se destaca pela produção de cerâmica. Criciúma possui infraestrutura urbana consolidada, com parques, praças e equipamentos culturais, além de tradição esportiva representada pelo Criciúma Esporte Clube. A herança da imigração europeia está presente em monumentos como o Parque Centenário e a Catedral São José.
A economia carbonífera da região impulsionou a construção da Ferrovia Teresa Cristina, inaugurada em 1884 para transportar o minério até o litoral. Com 164 quilômetros de extensão, a linha liga municípios do interior ao porto de Imbituba. Próxima a Criciúma está Lauro Miller, cuja economia também se desenvolveu em torno da mineração. Dali parte o acesso à Serra do Rio do Rastro, pela rodovia SC-390.
A Serra do Rio do Rastro é reconhecida internacionalmente por suas curvas acentuadas e pelo traçado que serpenteia encostas íngremes ao longo de oito quilômetros. A estrada oferece vistas panorâmicas das planícies e dos platôs formados pela erosão ao longo de milhões de anos. Na região de Bom Jardim da Serra, destacam-se formações como o Cânion do Funil, que ultrapassa 1.500 metros de altitude, e um parque eólico composto por dezenas de torres responsáveis pela geração de energia limpa para diversas localidades.
Entre os pontos mais elevados do estado está o Morro da Igreja, com 1.822 metros de altitude, situado entre os municípios de Urubici, Orleans e Bom Jardim da Serra. Próximo a ele encontra-se a Pedra Furada, formação rochosa de basalto com uma grande abertura natural. A Serra do Corvo Branco, no município de Grão-Pará, apresenta relevo igualmente acidentado e origem geológica relacionada a antigos derrames vulcânicos.
O município de Urubici destaca-se pelo turismo ecológico, com mais de 80 cachoeiras catalogadas. Entre as mais conhecidas estão a Cascata Véu da Noiva e a Cascata do Avencal. A cidade também abriga o Morro do Campestre e importantes sítios arqueológicos que comprovam a presença indígena há milhares de anos. Na economia local sobressaem a produção de hortaliças, frutas e erva-mate, atividades favorecidas pelo clima de altitude.
Lages, com aproximadamente 160 mil habitantes, consolidou-se historicamente como ponto de apoio de tropeiros que transportavam gado entre o sul e o sudeste do país. Atualmente, é um centro urbano relevante da região serrana, com patrimônio histórico, museus, parques e tradição cultural ligada ao campo. Em sua área rural destaca-se a Coxilha Rica, composta por extensas propriedades estabelecidas desde o século XIX.
Por fim, São Joaquim é reconhecida pelo clima frio e pela produção de vinhos de altitude e maçãs, cultura introduzida na década de 1970. A cidade realiza eventos agropecuários e mantém construções históricas, como sua igreja matriz de basalto. Próxima dali encontra-se a Cascata do Pirata, cercada por araucárias, árvore símbolo do sul do Brasil. Assim, as Serras Catarinenses reúnem patrimônio natural, diversidade econômica e identidade cultural marcada pelo clima rigoroso e pelas paisagens de grande valor cênico.
